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Também fui craque da moda; mas jogadores não podem dar um bico no futebol




“Eu visto um terno frances Renoma e ele o uniforme da delegacao, caretaco”./Arquivo pessoal

Estava assistindo Palmeiras e Santo Andre -- tomei Rivotril antes --e nao ha a menor duvida que para o jogador atual o futebol esta em terceiro plano. A moda vem em primeiro, a maratona vem em segundo e a bola de vez em quando aparece. O jogo parecia um desfile de modelos velocistas. Como essa rapaziada de hoje corre! Tanto que as vezes esquece da bola. Todos com tatuagens de marcas de beijo, tigres, leoes, aves de rapina e caveiras. Tem de tudo.

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Os penteados sao variados e vao do moicano ao que o Neymar esteja usando. As coxas precisam estar bem depiladas e musculosas para o shortinho ser levantado sem maiores problemas. Uma chuteira de cada cor, claro! So para nao acharem que e preconceito de minha parte vou logo avisando que na minha epoca ganhei o apelido de Craque da Moda, do locutor Valdir Amaral. Nao sou contra piercing, sobrancelhas feitas e maquiagem desde que o futebol de qualidade venha junto. Assistam os jogos da NBA e entenderao o que falo.

Nessa foto com o Riva, de 1972, eu visto um terno frances Renoma e ele o uniforme da delegacao, caretaco, da Casa Jose Silva. E olha que era uma viagem pela selecao brasileira, hein. Me vestir bem, de forma extravagante em algumas ocasioes, nao era para afrontar ninguem, mas uma forma de me impor, de conquistar meu espaco em uma sociedade de maioria branca.

Sempre frequentei bons restaurantes, adorava a Churrascaria Carreta e o bar Zeppelin, em Ipanema. Vivia no Barril, no Arpoador, point do colunista Ibrahim Sued, de Joao Saldanha, e de Carlinho Niemeyer, do Clube dos Cafajestes e criador do Canal 100. Usava roupas da Biba, Company, Krishna, Smuggler e curtia belos relogios. Nao me constrangia em entrar em lojas caras. Gostava de boates, da Zum Zum, da Sashinha, do Le Bateau e de carroes, como meu Puma mostarda e o Fiat Spider laranja. A Avenida Atlantica era lotada de concessionarias. Mas eu nao via jogadores de futebol pretos em nenhum desses espacos, pouquissimos, rarissimos.

O penteado, as roupas sao formas de expressao, um grito de liberdade. Os jogadores quando entram em campo como se fossem para uma festa vulgarizam a moda e dao um bico no futebol e quem paga o pato e o torcedor. Se já não fosse o bastante, ainda temos que ouvir os comentaristas falando que fulano entrou pela diagonal, saiu pela vertical, quebrou a linha adversária e marretou a bola!

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