TECNOLOGIA

Terra 2.0: réplica digital mostrará a evolução da crise do clima





Destination Earth (ou Destino Terra) é o nome do projeto ambicioso que tem como objetivo central a criação de uma Terra virtual, no qual o destino do planeta poderá ser modelado nos mínimos detalhes.

A iniciativa europeia, cujo lançamento foi oficialmente marcado com a publicação do projeto na revista Nature Computacional Science, envolve cientistas do clima e da computação, começará a funcionar em meados desse ano e deverá durar uma década, desenvolvendo e testando cenários possíveis para um desenvolvimento humano sustentável.

Se a construção de um dique de dois metros está sendo planejado na Holanda, por exemplo, posso examinar os dados no gêmeo digital e verificar qual a probabilidade de ele proteger a região contra os eventos extremos esperados em 2050

, disse o vice-diretor de Pesquisa do Centro Europeu de Previsões do Tempo de Médio Prazo (ECMWF) o geofísico Peter Bauer, um dos idealizadores do Destination Earth.

Terra extrema

O programa vai substituir o ExtremeEarth (ou Terra Extrema), também liderado pelo ECMWF, que foi encerrado prematuramente. A ideia, porém, de usar computação e inteligência artificial para criar uma réplica exata do planeta permaneceu e serviu para que a European High-Performance Computing Joint Undertaking (ou Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho) recebesse EUR 8 bilhões (US$ 9,7 bilhões) em investimentos.

A proposta anterior visava aplicar os recursos em Extreme Earth Analytics (técnicas de sensoriamento remoto e IA) para dar forma aos dados coletados pelo Copernicus, o programa de observação da Terra coordenado e gerido pela Comissão Europeia, em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA), e que usa satélites de observação não só os da ESA como de outras agências espaciais.

Um quilômetro

Com esses dados, a atmosfera da Terra está sendo renderizada em quadrantes de um quilômetro de diâmetro (os modelos hoje existentes tem resolução entre 9 e cem quilômetros), o que possibilitará aos pesquisadores analisarem as correntes de ar que transportam o calor responsável por formar nuvens e tempestades sem depender de aproximações algorítmicas, por exemplo. "É a modelagem do clima 3.0", brinca o cientista climático Bjorn Stevens, do Instituto Max Planck de Meteorologia.

O programa do Destination Earth será executado em um dos três supercomputadores que a Comissão Europeia vai instalar na Finlândia, Itália ou Espanha - o local deverá prover energia abundante, já que para construir e rodar o modelo da Terra 2.0 são necessários 20.000 GPUs e 20 Megawatts.

Além do clima, a ação do ser humano será incorporada ao modelo, com todos os processos que modificam a superfície terrestre. O modelo mostrará desde padrões de tráfego e movimentos da população (rastreados via celulares) até manejo da água, derrubada da cobertura vegetal nativa, ondas de migração ou construção de edificações.

As previsões que surgirem servirão para que os responsáveis pelas políticas públicas econômicas e ambientais tomem decisões baseadas em avaliações de como elas impactarão a sociedade.

Agora, aqueles que trabalham com modelos vão deixar de prever o clima e observar o que o clima fará

, disse a cientista de riscos climáticos Erin Coughlan de Perez, do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.




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